Eu mal o vi e ele ja foi embora.

by - July 01, 2013


Esse era o título do texto que eu ia escrever há 7 semanas atrás. É estranho porque a sensação de propriedade já era enorme. Então eu abri a janela e deixei só o título. Eu ia me lembrar do dia. Eu ia me lembrar do porque do título e principalmente, dele. Eu só não sabia se podia escrever ainda, só não sabia se era certo, se ele entenderia. Estava nublado, era de manhã e o metro estava lotado como de costume. Eu levantei cedo sem reclamar. A trilha sonora era a mais adequada para o momento, ela dizia algo sobre "Preciso do seu amor, me diz se você sente a mesma coisa?". Dentro do metro apertado a música tocou no repeat por mais de 10x. O caminho foi longo, parece que o trajeto de 25 minutos levou mais de 1hora e meia, quem dera esse tempo tivesse sido proporcional ao tempo em que ficamos conversando. Quando eu cheguei na estação meu coração gelou. Continuei andando e resolvi trocar de faixa, acho que a minha cara era de desespero. Ao olhar de longe me veio a certeza: tudo era como eu tinha imaginado. Cada parte. A pessoa, o momento, e tudo que estava ao redor. Até o céu cinza eu tinha imaginado, junto com o clima frio. Minha mão quente esquentava a fria. A boca não falava o que vinha na cabeça, e tudo foi mentalmente controlado, afinal eu não queria assustar alguém logo assim de cara. Enquanto observava todos os detalhes a única pergunta que eu sei que ficaria sem resposta era: "Porque agora?". 1 hora realmente pareceu 15 minutos. O verde das árvores deixava tudo mais harmonioso, ao mesmo tempo em que tudo acontecia, eu ficava olhando atentamente pra me lembrar depois. Eu queria editar todo o momento pra que ele passasse em slow motion, mas não era possível. Então, fui até o paraíso. Obvio que pra mim aquele lugar dizia muito mais do que realmente pudesse ser. De fato, fui ao paraíso, mas tive que voltar a vida real. Passei o dia todo olhando fixamente pra tela do computador com a imagem na cabeça do que tinha acontecido, e claro com todas as imagens que fiz ao olhar pra ele. Acho que no fundo eu nasci pra ser fotógrafa, mas que fotografar com a ferramenta, fotografo com a alma, e coração. Algumas cenas ainda passam na minha cabeça quando eu fecho os olhos. E é engraçado, porque isso acontece o tempo todo comigo. É como se eu gravasse os melhores momentos pra rever depois. Haja HD pra relembrar de tudo.  Aquele dia me lembro de ter chegado em casa cansada, sentado no sofá com ar de missão cumprida e disse a mim mesma: "Mas eu mal o vi, e ele ja foi embora". A vida é construída assim, de momentos; e eles passam rápido demais. De uma coisa eu tenho certeza: tudo esta vivo demais em mim, inclusive aquele dia.

You May Also Like

0 comments

Obrigada pela visita :)