Vivendo uma saudade.

by - June 28, 2013

Foto: Pâmella Ferrari

A saudade é algo que eu nunca vou conseguir entender, nem tão pouco explicar. Vivi muita saudade. Não sei se vivi ou se vivi apenas a saudade. A falta. Era nessa falta que eu vivia. Na falta de dormir de conchinha e acordar ao lado de alguém. Na falta de cozinhar enquanto conversava sobre a vida, sobre as pessoas. Na vontade de andar descalça pra ouvir um: "poe o chinelo, não quero você doente". Na falta de alguém pra sentar e conversar durante o almoço e jantar. Eu não consigo entender... por mais que eu tente eu fico tentando me lembrar o porque vivi tanta saudade.

As noites de sábado que eu passei sozinha sentada no sofá tentando imaginar o que eu poderia estar fazendo se tivesse ao menos alguém pra conversar. Eu não queria uma conversa por telefone. Eu não queria uma conversa por sms. Eu queria uma conversa daquela que dá pra ver o brilho dos olhos. Daquela que a gente toca o rosto da pessoa enquanto fala. Eu queria pegar na mão, dar um abraço quente depois de dizer alguma frase bonita.  Mas tudo o que eu fazia era sentar ou deitar no sofá e viver a saudade. A saudade de tudo aquilo que eu queria estar vivendo e não podia viver. A saudade do que já tinha ido, e do que ainda estava por vir. Eu não fiz nada... Além de viver de saudade. 


Eu dormia pensando no que podia estar vivendo. Acordava pensando no que queria viver. Eu sentava mais uma vez naquele mesmo sofá e planejava. Planejava viagens, decoração, sonhos. Eu achei que nunca mais fosse planejar alguma coisa. Eu achei que planejar deixava a gente mais perto de realizar, mas o que eu não sabia era que eu estava perdendo tempo demais pensando no que fazer ao invés de ir e fazer. Eu não podia muito, mas eu podia. 

Nenhum programa tinha graça. Com quem eu podia compartilhar uma alegria a não ser comigo mesma? As vezes tudo que a gente quer é dar um abraço quente em alguém que a gente ama. As vezes tudo que a gente quer é compartilhar nosso dia bom, ou nosso dia ruim. Seja com um sorriso, ou seja com um abraço confortante. Como eu podia achar graça nas coisas? 

Eu perdi muitos momentos com pessoas queridas. Eu perdi almoços e conversas sobre antigamente porque estava preocupada demais em estar num lugar o qual eu não pertencia. Eu estava ocupada demais tentando ter uma vida que eu não tinha, que estava distânte de mim. Eu perdi muitos momentos pensando no que fazer pra não perder mais momentos. 

Eu só não queria perder mais momentos. Eu só não queria ficar sentada no sofá pensando no que fazer. Eu não quero mais pensar, planejar, eu quero poder executar. Nunca vou saber se eu teria aprendido tudo isso se eu não tivesse vivido só de saudade. Eu sei que saudade é algo bom e ruim. O lado bom da saudade é quanto a gente consegue ameniza-la. O lado ruim, é quando você sente falta e não pode fazer nada mais pra que ela se acabe.

Ela aperta, e você só chora.

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