Vodka barata de quitanda.

by - March 03, 2012

"Porque é muito mais fácil desistir das coisas, acredite, PRINCIPALMENTE quando não te tem muito a perder."

Me lembro das vezes em que você me chamou de fraca. Aquilo entrou na minha cabeça e me tornou incapaz de tantas coisas. Parece mentira, mas eu tento absorver tudo aquilo que você me diz. Eu finjo que não, me faço de desentendida, mas a verdade é que eu gosto de dar corda pra você mesmo se enforcar. Parece cruel vendo dessa maneira, mas a verdade é que não podemos ser manipulados por ninguém. Temos que ser nós mesmos, mesmo que doa, mesmo que seja bruto, mesmo que pra sempre. Então eu resolvi sentar e esperar o show começar. Parecia um show de teatro daqueles bem longos e cansativos onde o papel principal me deixava profundamente envolvente. Eu estava ali há horas vendo aquele seu teatro de bom moço. Depois de alguns minutos de peça você foi se cansando, e o suor no seu rosto mostrava todo o seu nervosismo diante daquela grande platéia do eu sozinho. Eu não julgo, mas confesso que já fui em peças mais emocionantes. Mas você estava ali, com todos no palco, e eu não podia interromper aquela peça. Então, aos poucos alguns atores foram saindo de cena. Mesmo você sussurrando: "ainda falta aquela parte".

Eu já estava entediada, e não via a hora daquela peça teatral acabar. Suas roupas estavam imundas, seus pés estavam descalços, e você cheirava Vodka barata de quitanda. Seus olhos procuravam desesperadamente pela menina da camiseta bonita, pela moça do nome comum, pelo melhor amigo ever, por um amor que você não sabia se estava no palco ou na platéia. Eu já estava cansada, mas não queria te decepcionar em dizer que eu já sabia o final da peça. Afinal, você me convidou com tanto carinho: "Vou arriscar, afinal você já se arriscou tantas vezes por mim me dando um Bom dia ou até vindo me ver" eu pensei: pode ser legal. 

Resolvi levantar da cadeira pra te agradecer pelo convite, mas antes mesmo que eu pudesse abrir a boca pra me despedir de você, eu fui surpreendida com toda sua euforia em me falar que aquela peça era realmente uma farsa, e que você já sabia que eu já tinha assistido. Sem reação, peguei minha bolsa, te deixei no palco com todos os atores, suas cartas, seu figurino de bom moço, e fui embora.

Não sei se vou saber voltar.
Eu nunca tinha estado naquele teatro antes.
Me desculpe por isso.

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